
Entre os milhões de páginas recentemente divulgadas dos chamados dossiês de Jeffrey Epstein, surgiu um testemunho antigo que voltou a chamar a atenção pública. O relato descreve a alegada observação de uma menina que “se parecia com Madeleine McCann”, acompanhada por uma mulher semelhante a Ghislaine Maxwell.
O desaparecimento que chocou o mundo
Madeleine McCann tinha apenas três anos quando desapareceu, a 3 de maio de 2007, durante férias com a família no resort Ocean Club, na Praia da Luz, em Portugal.
Naquela noite, os pais, Kate e Gerry McCann, jantavam com amigos num restaurante localizado a cerca de 100 metros do apartamento onde Madeleine dormia juntamente com os irmãos gémeos de dois anos. Quando Kate regressou para verificar as crianças, a menina já não estava no quarto.
A polícia foi imediatamente alertada e iniciou-se uma extensa operação de busca que envolveu funcionários do resort, hóspedes e autoridades fronteiriças e aeroportuárias. Investigadores portugueses consideraram inicialmente a hipótese de rapto e divulgaram a descrição de um homem que teria sido visto transportando uma criança naquela noite.
O caso tornou-se rapidamente um dos desaparecimentos mais mediáticos da história moderna, mobilizando investigações internacionais que continuam até hoje, sem que Madeleine tenha sido encontrada.
O nome de Madeleine nos ficheiros Epstein
Quase duas décadas depois, o nome da criança surgiu inesperadamente em documentos relacionados com o processo judicial contra Jeffrey Epstein e com a condenação, em 2021, de Ghislaine Maxwell por crimes ligados à exploração sexual de menores.
A referência aparece numa única declaração de testemunha incluída no vasto conjunto de documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos.
O depoimento, datado de 7 de julho de 2020, foi apresentado por uma pessoa não identificada no Reino Unido, que afirmou ter visto, no outono de 2009, uma menina semelhante a Madeleine acompanhada por uma mulher que recordava Maxwell.
Segundo o relato, a testemunha caminhava atrás de uma mulher e de uma criança pequena numa rua tranquila, enquanto um homem de meia-idade seguia alguns metros à frente.
Um detalhe chamou atenção
De acordo com a declaração enviada ao National Threat Operations Center (NTOC) do FBI, a testemunha só voltou a lembrar-se do episódio anos depois, ao ver publicações nas redes sociais associando Maxwell ao desaparecimento da menina.
Um dos detalhes descritos foi considerado particularmente relevante: a criança mantinha a mão sobre o olho direito. Madeleine possuía uma condição rara chamada coloboma, que provoca uma marca característica na pupila direita e pode causar sensibilidade à luz — um traço frequentemente destacado nos apelos públicos relacionados com o caso.
Antigas pistas voltam ao debate
A divulgação do documento também reacendeu o interesse por pistas investigadas em 2009, incluindo um retrato falado criado por detetives privados contratados pela família McCann.
Na época, meios de comunicação britânicos divulgaram a imagem de uma mulher descrita como semelhante à cantora Victoria Beckham, com cabelo curto e escuro — aparência que tanto Beckham quanto Maxwell apresentavam naquele período.
O alegado avistamento teria ocorrido em Barcelona poucos dias após o desaparecimento de Madeleine, levando investigadores a expandir buscas para além de Portugal. No entanto, nenhuma autoridade confirmou qualquer ligação entre essa pista e Ghislaine Maxwell.
Autoridades alertam para possíveis informações incorretas
Apesar da recente repercussão online, autoridades dos Estados Unidos e do Reino Unido reforçaram que o testemunho não constitui prova concreta que relacione o desaparecimento de Madeleine McCann com Jeffrey Epstein ou Ghislaine Maxwell.
Em comunicado oficial, o Departamento de Justiça norte-americano esclareceu que os materiais divulgados podem incluir informações não verificadas, já que todos os conteúdos enviados ao FBI foram incluídos conforme exigências legais.
Até ao momento, o depoimento permanece apenas como um relato isolado dentro de um enorme conjunto documental e não resultou em novas ações investigativas nem em mudanças oficiais na direção do caso.