Um simples acidente em casa e “a vida condenou” Eduardo Sá “a nunca mais poder andar”

Eduardo Sá é uma das pessoas com mais sucesso em Portugal. É seguido por milhares e milhares de pessoas, o seu consultório é um dos mais requisitados e as suas entrevistas comentadas e partilhadas”, começa por escrever Luís Osório no ‘Postal do Dia’ [rubrica da Antena 1] dedicado ao conhecido psicólogo clínico e psicanalista.

Diz Osório que Eduardo Sá “defende a imperfeição como condição de que não podemos fugir – um magnífico ponto de partida que suaviza a pressão de precisarmos de ser isto ou aquilo para sermos bons pais, bons avós, boas pessoas.” Acrescenta o escritor: “Ouvir Eduardo é um exercício de yoga, um tranquilizante para o peso suportado, por tantos de nós, do instante em que acordamos até ao segundo em que adormecemos.”

Recua no tempo e recorda que o psicólogo “teve um acidente na sua casa de sonho. Numa aldeia perto de Aveiro, rodeado de árvores, pássaros e silêncio, caiu desamparado e fraturou a coluna. De um segundo para o outro, a vida condenou-o a uma cadeira de rodas. Condenou-o a nunca mais poder andar.

“Vi-o no Porto, o ano passado, numa das primeiras conferências em que apareceu após a tragédia. Estava visivelmente em baixo e pediu para que ninguém lhe tocasse na cadeira, apenas a mulher o poderia transportar. Soube depois que estava traumatizado pela maneira como o tinham levado na ambulância de casa para o hospital”, dá conta Luís Osório.

O escritor assume também: “Pensei em aproximar-me, mas não o fiz. O que se pode dizer nestas circunstâncias? Passaram uns meses largos e o tempo faz o que é suposto.” Osório acrescenta: “Eduardo Sá voltou a escrever. Voltou a ensinar. Voltou a falar em programas de rádio. Voltou aos debates e colóquios. Voltou a pensar alto connosco acerca do futuro, do que em nós é futuro, nesta coisa prodigiosa de ser pai e de ser filho. Eduardo tem seis. Nenhum pai de seis pode sê-lo se não for otimista ou louco. Ou as duas coisas. Ele é um otimista. E precisamos que continue a sê-lo.”

E termina o seu ‘Postal do Dia’ desta forma: “Que continue a ser o psicólogo que não tem medo de mergulhar em palavras que parecem gastas do mau uso, a palavra Amor. A palavra Paixão. A palavra Afeto. A palavra Superação. Palavras que baralhou e voltou a dar nos dias em que tudo pareceu ruir. Palavras que foram as suas mais poderosas aliadas nos dias em que construiu os alicerces de uma nova vida.”

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