
Repetir uma fórmula de sucesso vai ser sempre ingrato, tanto para Manuel como para quem quer que seja que ocupará um lugar que será sempre algo de comparações
A TVI prepara-se para voltar a juntar a antiga dupla de Você na TV, numa aposta de José Eduardo Moniz para reforçar as audiências de sábado à noite. O novo programa, Simply The Best, estreia já no próximo sábado e promete recuperar uma fórmula que marcou profundamente as manhãs da televisão portuguesa.
A notícia apanhou muitos fãs de surpresa, sobretudo os que ainda alimentam a esperança de voltar a ver Manuel Luís Goucha ao lado de Cristina Ferreira. Mas desengane-se quem acredita que será a “patroa” a ocupar esse lugar. A parceira de Goucha será Maria Cerqueira Gomes, que regressa assim à antena depois de uma pausa desde que deixou o Em Família.
“Tenho algumas reticências”
Confesso que tenho algumas reticências. Não pela competência de nenhum dos dois, isso seria absurdo. Já o disse várias vezes e mantenho: Goucha continua a ser o melhor comunicador da televisão portuguesa. E Maria é uma profissional com presença, com percurso e com mérito próprio. A questão não é essa. A questão é o peso das comparações.
Desde que se tornou conhecida a nível nacional, Maria foi colocada num lugar ingrato: o de “nova Cristina”. Um rótulo que nunca lhe fez justiça e que criou expectativas difíceis, e talvez impossíveis, de cumprir. O público não comparava estilos, comparava química. E a química não se fabrica.
Formar uma dupla de apresentadores não é uma equação matemática. Exige cumplicidade genuína, capacidade de encaixe, cedências mútuas e, acima de tudo, tempo. O que aconteceu entre Goucha e Cristina nas manhãs foi excecional, raro, uma combinação que ultrapassou qualquer previsão inicial e que se transformou num fenómeno televisivo. Mas precisamente por ter sido tão único, não pode servir de padrão para tudo o que vem a seguir.
Talvez tenha sido também por isso que Você na TV terminou e deu lugar a Dois às 10: era preciso virar a página, criar novas dinâmicas, respirar outro ar. Porque a partir do momento em que Cristina seguiu outro caminho, tentar recriar à força aquela dupla seria injusto, tanto para Goucha como para qualquer profissional que ocupasse o lugar ao seu lado.
Desejo genuinamente que Simply The Best resulte. A televisão portuguesa precisa de formatos diferentes, divertidos e com substância. Mas é fundamental não colocar sobre Maria o peso de uma herança que não lhe pertence. Ela não precisa de ser uma “nova” ninguém. Precisa apenas de ser Maria, e construir o seu próprio espaço. E isso, por si só, já é desafio suficiente.